Não se passa um dia sem que eu leia notícias sobre o mundo pop; cinema, tv, música...isso é uma fonte de prazer (desde sempre) e de pesquisas (tem a ver com projetos pessoais).
E, desde que me conheço por gente, eu amo quadrinhos. Já colecionei muito, me livrei de um tanto ao longo da vida, mas continuo lendo, sempre. Inclusive as notícias, para saber das novidades e tendências.
Os primeiros gibis, dos quais me lembro foram um do Snoopy, da Editora Artenova e um do Homem-Aranha, da Bloch Editores (com desenhos do Steve Ditko). Já vi muita coisa.
Interessante é perceber que, cada geração que chega, não dá continuidade ao que vinha sendo feito. Há sempre uma ruptura, quase uma rejeição do padrão vigente para erguer novas bases, que serão derrubadas pela próxima “molecada”, e assim por diante.
Li certa vez que (nem pergunte onde) que o que havia de mais legal no Batman é que cada geração tinha o seu: o psicodélico dos anos 60s / o maior detetive do mundo, dos 70’s / o Cavaleiro das Trevas dos 80s, e por aí vai...
Na verdade, dá para você aplicar essa regra a vários personagens, tamanho o tempo que eles nos acompanham; Superman tem 71 anos; Capitão América, 68; Popeye, 80; Tarzan, 97 (!!!).
O que isso me diz? Que esses personagens se fixaram no imaginário popular, de tal forma, que se tornaram parte da vida das pessoas.
Você pode nunca ter lido um livro de Sherlock Holmes, mas sabe quem é.
Você nunca assistiu um filme de Drácula ou do Monstro de Frankenstein, mas os conhece.
Seus autores, em alguns casos, estavam purgando seus fantasmas; em outros, apenas produzindo diversão ligeira para jornais e revistas, de olho nas contas a pagar.
O que os tornou tão vívidos e relevantes, até os dias de hoje?
Talvez por terem sido criados com forte influência do momento mundial em que seus autores viviam, ou por não terem tido referências anteriores para plagiarem homenagearem. Talvez por não haver a voracidade do mercado, onde milhares de criações são despejadas todos os dias, para gerar brinquedos, filmes, games, etcéteras. Talvez por não haver a burrice crônica de editores, que visam apenas o lucro das empresas que pagam seu salário...
(Posso ficar nisso o dia todo, mas você já sacou, né?)
Cada vez que eu vejo notícias sobre a “Saga que vai mudar a vida dos X-Men para sempre”, ou “A Morte do Batman (de novo?!?)”, meus sentimentos se alternam entre o mais profundo desprezo e a apatia completa.
Os 52 Universos da DC? Um só já não é complicado o sufuciente?
A volta do Flash? Para quê?
A Noite mais Densa? Tá, tá, tá...
Zumbis Marvel? Piada de 3 minutos. Não mais do quê isso.
Indiana Jones 5, e os Etês Malvados da Área 51? Boceeeejo...
Exterminador do Futuro 4? Essa bananeira não dá mais cacho, meu senhor.
Acho que já cheguei ao ponto de ter lido/experimentado tanto, e tão diferentes coisas, que quase nada mais me espanta. Essas revistas mensais, com suas “Crises”, “Guerras”, para mim soam apenas como paródias involuntárias de um tempo em que os criadores de quadrinhos sabiam escrever e desenhar. E melhor: tinham algo a dizer.
Para mim, esse tempo, foram os anos 80. Depois disso, salvo raríssimas exceções, foi tudo barranco abaixo. Chatice, chatice, chatice. Ainda bem que tivemos o Calvin e...e...sei lá, o Máskara?
[Relendo o que acabei de escrever, me sinto como as pessoas da geração anterior que eu ouvia dizer quando era criança: “Isso aí é uma droga, bom mesmo é o Asterix, e o Tintim.!” Oquêi, meu senhor...a-hã...questão de referencial...agora, dá para calar a boca e me deixar ler em paz?”]
Sempre fui aberto quanto a ler de tudo, inclusive quadrinhos; nunca fui sectário a ponto de alguém me oferecer um gibi novo e eu nem sequer olhar para a capa, recusando-me a ler. Mas, hoje em dia, na boa...nada me atrai.
Minto: o que tem me deixado curioso, e atento se isso é ou não uma nova tendência, é a volta aos holofotes de vários personagens clássicos.
Sherlock Holmes (com Robert Downey Jr.); Besouro Verde (com Seth Rogen); Buck Rogers (criado em 1929, meu velho!) e Flash Gordon (1934), pela Dynamite Entertainment; o Tocha Humana original de volta pela Marvel...eles estão por aí, trazidos por nomes consagrados dos quadrinhos e do cinema, para a alegria dos mais velhos, e o conhecimento dos mais novos. Relevantes, outra vez.
Me diz, quem vai se lembrar do Spawn, daqui a 20 anos? Talvez só um gueto, um nicho de público, se tanto.
Meus personagens favoritos estão por aí; alguns deles cristalizados em histórias de 15 ou 20 anos atrás. O Superman de John Byrne; o Batman de Frank Miller; o Homem-Aranha de uniforme negro, a Liga da Justiça Internacional; o Demolidor de (ele de novo) Miller e Mazzuchelli; o Hulk cinza de Peter David; os X-Men punks de Chris Claremont e John Romita Jr; Robocop e o Exterminador do Futuro (o segundo filme de cada um deles); o Flash/Barry Allen morto, e o novo Flash/Wally West. Poucos, muito poucos, em versões recentes, como a morte do Capitão América, e a volta do Rambo.
Nem versões zumbis do espaço sideral.
Tragam novidades de verdade, que eu leio.
Podem ser bobeiras, descartáveis. Mas que não ofendam minha inteligência.
De repente, posso até curtir.
Enquanto isso, eu fico com minhas velharias, mesmo.
Agora saiam, e me deixem dormir!
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