28 de ago. de 2009

Besouro Verde e Batman - A arte de estapear vilões

O Herói: Um vigilante mascarado - criado nos anos 30 - com o hobby de estapear bandidos na calada da noite, acompanhado de seu assistente, a bordo de seu carro fodão, repleto de armamentos.

Ano: 1966; o mencionado vigilante ganha uma série de TV. A música-tema marca a época.

Ano: 1989.

Ator: Alguém considerado magro demais para o papel, e que era conhecido até aquele momento como apenas um comediante.

Diretor: Alguém com poucos filmes em seu currículo, mas que começa a chamar a atenção do público e da crítica e possui um estilo inconfundível e original.

O Vilão: Um astro consagrado (mais famoso do que o ator que interpreta o Herói).

Anotou tudo? Ok, continue aí.

O Herói: Um vigilante mascarado - criado nos anos 30 - com o hobby de estapear bandidos na calada da noite, acompanhado de seu assistente, a bordo de seu carro fodão, repleto de armamentos. Confere.
Ano: 1966; o mencionado vigilante ganha uma série de TV. A música-tema marca a época.

Ano: 2009.

Ator: Alguém considerado gordo demais para o papel , e que era conhecido até aquele momento como apenas um comediante.

Diretor: Alguém com poucos filmes em seu currículo, mas que começa a chamar a atenção do público e da crítica e possui um estilo inconfundível e original.

O Vilão: Um astro consagrado (mais famoso do que o ator que interpreta o Herói).

Poucas coisas separam Batman e o Besouro Verde. Nascidos - um nos quadrinhos, e outro no rádio - no auge da Grande Depressão, ambos têm suas raízes na pulp fiction, a literatura ligeira de bancas de jornais, com suas histórias de detetives e gangsters no submundo das grandes cidades. Os heróis daquele momento histórico carregavam - além do armamento, claro - a vontade de corrigir as injustiças do mundo na base da porrada, mas sem ultrapassar a linha do bom-mocismo. Que outra razão então para agirem nas sombras, mascarados, senão para manter o véu de cidadãos respeitáveis da sociedade?

Além do que mencionei acima, vale registrar que eles protagonizaram um dos primeiros crossovers da TV, um episódio em duas partes, que começava na série de um e acabava na do outro. Enfim.

Lembro-de assistir ao Besouro quando era pequeno; as memórias que possuo da série (provavelmente) correspondem pouco à realidade. Para mim, Batman era o cara amistoso, sorridente, que investigava - e embolachava, claro - os mais bizarros vilões. Um cara com amigos na polícia, admirado pelas crianças e pelos cidadãos de Gotham City. Gente boa.

Imagine só meu espanto quando li O Cavaleiro das Trevas lááá nos anos 80, dark e niilista total!

Com o Besouro, era diferente. Muito diferente. Para começar, a música-tema era sinistra, quase psicótica. A abertura da série não tinha nada de alegre - a narração era soturna, a animação era assustadora, - ao contrário da do Morcego - e a externa dela, com a saída do carro dos herói - se passava à noite. Todo o visual lembrava filmes de gângsters dos anos 30. Nada de capas esvoaçantes, cores berrantes e cuecas por cima das calças. O herói e seu assistente (já já falo mais sobre ele, peraí), a bordo do carro, possuiam a expressão de quem não iria perder tempo ajudando velhinhas a atravessar a rua, cumprimentando políticos ou beijando bebês. O lance aqui era arrebentar algumas cabeças, e nesse meio tempo, proteger os cidadãos de (Coloque aqui o nome que você quiser, não me lembro como se chamava a cidade, e nem vou procurar agora) "Besouro" City.

O assistente? Hoje em dia basta dizer que era um tal de Bruce Lee.

Mas, na época, o cara era um ilustre desconhecido buscando seu espaço e tentando pagar as contas. Além de lutar pra caray, Bruce ainda dotou seu personagem de uma expressão facial que variava entre o blasé e o desprezo total pela bandidagem.

- Tá, tá, tá. Pare de bancar o bebê chorão! Levante-se e vá se entregar na delegacia mais próxima AGORA! E recolha seus dentes do chão antes que alguém pise neles, seu maricas!

Com o Besouro não tinha papo furado. Ficaram marcadas na minha memória as brigas (brigas mesmo; me impressionavam muito mais do que os Pofs! Socs! e Pows! de Batman e Robin; o lance aqui era tapa na cara, pé na bunda e chute no saco. Eu acho. ) e o Beleza Negra - o veículo dos heróis - pondo abaixo os portões do esconderijo de algum vilão sob tiros de metralhadora. Simples assim, rápido e eficaz.

Pensando hoje em dia, acho que o motivo para tanta pressa era o fato de Britt Reid - o alter-ego do herói - ser dono de um jornal. Se você trabalha com prazos, sabe como isso é estressante.

- Vamos logo com isso que eu tenho que estar na redação para o fechamento!!!

Como se não bastasse tudo isso, ambos ainda eram perseguidos pela polícia, que os considerava membros do submundo. Vida dura.

Besouro Verde, o filme, estréia apenas no final do ano que vem nos EUA (por aqui, sabe Deus); espero que a demora signifique cuidado na adaptação, respeitando o espírito do personagem e evitando um excesso de piadinhas idiotas desnecessárias; particularmente, estou contando o tempo até a estréia. Acho que um filme que reúne talentos como Seth Rogen (o comediante do momento no papel-título que, além de produzir, co-roteirizou o filme), Michael Gondry (diretor de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e Rebobine por favor), e ainda conta com Nicholas Cage como o vilão, promete. Vamos ver se cumpre. Se existe alguém capaz de ensinar à essa multidão de supers-qualquercoisa que superlotam(ups) os cinemas a verdadeira arte de estapear vilões, esse é o Besouro Verde. E com estilo.

Já ia esquecendo de mencionar: os caras já demonstraram estar no rumo certo, contratando um ilustre desconhecido para o papel de Kato. Qual astro atual aguentaria a comparação com Bruce Lee? Melhor alguém que não tenha já o peso de uma imagem pública.

Para quem nunca viu, segue a abertura da série de TV. Divirtam-se!

[Atualizada: Pois é, como disse o Amálio nos comentários, o Nicholas Cage abandonou o navio. No lugar dele entrou o...o...ah, sei lá, um John das Couves qualquer de quem eu nunca vi a fuça. Medo.]

3 comentários:

Amalio Damas disse...

Besouro Verde marcou época realmente e o novo filme promete. É uma pena que Nicolas Cage tenha desistido do projeto (maricas!). Você já está nos meus favoritos novamente!!!

Amalio Damas disse...

Só pra deixar claro, não é que eu havia tirado, é que eu formatei o computador e estou lembrando aos poucos dos favoritos. O único que eu lembrei com certeza foi o Uol, hahahahahaha!!!!

Nasir disse...

Seja bem-vindo de volta, Amalio! A cafeteira está logo ali, sirva-se...você já é de casa!

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