Ano: 1966; o mencionado vigilante ganha uma série de TV. A música-tema marca a época.
Ano: 1989.
Ator: Alguém considerado magro demais para o papel, e que era conhecido até aquele momento como apenas um comediante.
Diretor: Alguém com poucos filmes em seu currículo, mas que começa a chamar a atenção do público e da crítica e possui um estilo inconfundível e original.
O Vilão: Um astro consagrado (mais famoso do que o ator que interpreta o Herói).
Anotou tudo? Ok, continue aí.
O Herói: Um vigilante mascarado - criado nos anos 30 - com o hobby de estapear bandidos na calada da noite, acompanhado de seu assistente, a bordo de seu carro fodão, repleto de armamentos. Confere.
Ano: 1966; o mencionado vigilante ganha uma série de TV. A música-tema marca a época.
Ano: 2009.
Ator: Alguém considerado gordo demais para o papel , e que era conhecido até aquele momento como apenas um comediante.
Diretor: Alguém com poucos filmes em seu currículo, mas que começa a chamar a atenção do público e da crítica e possui um estilo inconfundível e original.
O Vilão: Um astro consagrado (mais famoso do que o ator que interpreta o Herói).
Lembro-de assistir ao Besouro quando era pequeno; as memórias que possuo da série (provavelmente) correspondem pouco à realidade. Para mim, Batman era o cara amistoso, sorridente, que investigava - e embolachava, claro - os mais bizarros vilões. Um cara com amigos na polícia, admirado pelas crianças e pelos cidadãos de Gotham City. Gente boa.
Imagine só meu espanto quando li O Cavaleiro das Trevas lááá nos anos 80, dark e niilista total!
Com o Besouro, era diferente. Muito diferente. Para começar, a música-tema era sinistra, quase psicótica. A abertura da série não tinha nada de alegre - a narração era soturna, a animação era assustadora, - ao contrário da do Morcego - e a externa dela, com a saída do carro dos herói - se passava à noite. Todo o visual lembrava filmes de gângsters dos anos 30. Nada de capas esvoaçantes, cores berrantes e cuecas por cima das calças. O herói e seu assistente (já já falo mais sobre ele, peraí), a bordo do carro, possuiam a expressão de quem não iria perder tempo ajudando velhinhas a atravessar a rua, cumprimentando políticos ou beijando bebês. O lance aqui era arrebentar algumas cabeças, e nesse meio tempo, proteger os cidadãos de (Coloque aqui o nome que você quiser, não me lembro como se chamava a cidade, e nem vou procurar agora) "Besouro" City.
O assistente? Hoje em dia basta dizer que era um tal de Bruce Lee.
Mas, na época, o cara era um ilustre desconhecido buscando seu espaço e tentando pagar as contas. Além de lutar pra caray, Bruce ainda dotou seu personagem de uma expressão facial que variava entre o blasé e o desprezo total pela bandidagem.
- Tá, tá, tá. Pare de bancar o bebê chorão! Levante-se e vá se entregar na delegacia mais próxima AGORA! E recolha seus dentes do chão antes que alguém pise neles, seu maricas!
Com o Besouro não tinha papo furado. Ficaram marcadas na minha memória as brigas (brigas mesmo; me impressionavam muito mais do que os Pofs! Socs! e Pows! de Batman e Robin; o lance aqui era tapa na cara, pé na bunda e chute no saco. Eu acho. ) e o Beleza Negra - o veículo dos heróis - pondo abaixo os portões do esconderijo de algum vilão sob tiros de metralhadora. Simples assim, rápido e eficaz.
Pensando hoje em dia, acho que o motivo para tanta pressa era o fato de Britt Reid - o alter-ego do herói - ser dono de um jornal. Se você trabalha com prazos, sabe como isso é estressante.
- Vamos logo com isso que eu tenho que estar na redação para o fechamento!!!
Como se não bastasse tudo isso, ambos ainda eram perseguidos pela polícia, que os considerava membros do submundo. Vida dura.
Besouro Verde, o filme, estréia apenas no final do ano que vem nos EUA (por aqui, sabe Deus); espero que a demora signifique cuidado na adaptação, respeitando o espírito do personagem e evitando um excesso de piadinhas idiotas desnecessárias; particularmente, estou contando o tempo até a estréia. Acho que um filme que reúne talentos como Seth Rogen (o comediante do momento no papel-título que, além de produzir, co-roteirizou o filme), Michael Gondry (diretor de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e Rebobine por favor), e ainda conta com Nicholas Cage como o vilão, promete. Vamos ver se cumpre. Se existe alguém capaz de ensinar à essa multidão de supers-qualquercoisa que superlotam(ups) os cinemas a verdadeira arte de estapear vilões, esse é o Besouro Verde. E com estilo.
Já ia esquecendo de mencionar: os caras já demonstraram estar no rumo certo, contratando um ilustre desconhecido para o papel de Kato. Qual astro atual aguentaria a comparação com Bruce Lee? Melhor alguém que não tenha já o peso de uma imagem pública.
Para quem nunca viu, segue a abertura da série de TV. Divirtam-se!
[Atualizada: Pois é, como disse o Amálio nos comentários, o Nicholas Cage abandonou o navio. No lugar dele entrou o...o...ah, sei lá, um John das Couves qualquer de quem eu nunca vi a fuça. Medo.]
3 comentários:
Besouro Verde marcou época realmente e o novo filme promete. É uma pena que Nicolas Cage tenha desistido do projeto (maricas!). Você já está nos meus favoritos novamente!!!
Só pra deixar claro, não é que eu havia tirado, é que eu formatei o computador e estou lembrando aos poucos dos favoritos. O único que eu lembrei com certeza foi o Uol, hahahahahaha!!!!
Seja bem-vindo de volta, Amalio! A cafeteira está logo ali, sirva-se...você já é de casa!
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